Publicado por: João José Menescal | 3, Dezembro, 2009

Behind the clouds of London skies


London Skies
(Jamie Cullum)

Paint a picture
Clear cut and pale on a cold winters day
Shapes and cool light wonder the streets like an army of strays
On a cold winters day

Will you let me romanticize
The beauty in our London skies
You know the sunlight always shines
Behind the clouds of London skies

Patient moments chill to the bone under infinite grey
Vision hindered mist settling low like a ghostly ballet
On a cold winter’s day

Will you let me romanticize
The beauty in our London skies
You know the sunlight always shines
Behind the clouds of London skies

Nothing is certain except everything you know can change
Worship the sun but now
Can you fall for the rain

Will you let me romanticize
The beauty in our London skies
You know the sunlight always shines
Behind the clouds of London skies

Publicado por: João José Menescal | 8, Novembro, 2009

Quando zarparemos para a felicidade?

Photo by Dominik Spuller (airliners.net)

Photo by Dominik Spuller (airliners.net)

“Quando me sinto triste em casa, muitas vezes pego um trem ou um ônibus e vou até o Aeroporto de Heathrow, onde, de uma plataforma de observação no Terminal 2 ou do andar mais alto do Renaissance Hotel, ao longo da pista norte, consolo-me com a visão do incessante pousar e decolar de aeronaves.

No difícil ano de 1859, logo após o processo de Fleurs du mal e do rompimento com sua amante Jeanne Duval, Baudelaire visitou a mãe na casa dela em Honfleur. Durante grande parte de sua estada de dois meses, ocupou uma cadeira junto ao cais, observando a chegada e a partida de embarcações. “Aqueles grandes e belos navios com seu aspecto sonhador e ocioso, não parece que eles nos sussurram em línguas mudas: Quando zarparemos para a felicidade?”.

Visto de um estacionamento ao lado da 09L/27R, como a pista norte é conhecida pelos pilotos, o Boeing 747 parece, de início, uma luzinha branca e brilhante, uma estrela que cai na direção da terra. Ele está no ar há doze horas. Decolou de Cingapura ao amanhecer. Sobrevoou a baía de Bengala, Déli, o deserto afegão e o mar Cáspio. Seguiu seu trajeto por cima da Romênia, da República Checa e do sul da Alemanha, antes de começar sua descida, tão suave que poucos passageiros teriam notado uma mudança no tom dos motores, acima das turbulentas águas marrom-acinzentadas ao largo da costa holandesa. Ele acompanhou o Rio Tamisa até sobrevoar Londres, voltou-se para o norte, perto de Hammersmith (onde os flapes começaram a baixar), girou sobre Uxbridge e acertou o curso acima de Slough. Da terra, a luz branca aos poucos ganha corpo como uma enorme massa de dois andares, com quatro motores suspensos como brincos debaixo de asas de um comprimento implausível.

Na chuva fina, nuvens de água formam um véu atrás do avião, que prossegue o seu grave avanço até o campo de pouso. Abaixo dele, estão os subúrbios de Slough. São três da tarde. Em casas com quintal, enchem-se chaleiras. Um televisor está ligado numa sala de estar, com o som mudo. Sombras verdes e vermelhas passeiam mudas pelas paredes. O dia-a-dia. E acima de Slough passa um avião que, havia algumas horas, estava sobrevoando o Mar Cáspio. Mar Cáspio – Slough: o avião como um símbolo de cosmopolitismo, trazendo dentro de si um resquício de todas as terras que atravessou, sua eterna mobilidade oferecendo um contrapeso imaginativo para sensações de estagnação e confinamento. Hoje de manhã, esse avião sobrevoou a península da Malásia, topônimo no qual subsistem os aromas de goiaba e do sândalo. E agora, alguns metros acima da terra que evitou tocar por tanto tempo, o avião parece imóvel, com o nariz elevado, dando a impressão de fazer uma pausa antes que suas dezesseis rodas traseiras entrem em contato com a pista, com uma rajada de fumaça que deixa evidentes sua velocidade e seu peso.

Numa pista paralela, um A340 levanta vôo com destino a Nova York e, acima da represa de Staines, recolhe os flaps e o trem de pouso, dos quais só precisará novamente quando da descida próximo às brancas casas de madeira de Long Beach, à distância de mais de cinco mil quilômetros e oito horas no mar e nuvens. Visíveis no nevoeiro através do calor dos turborreatores, outros aviões esperam para iniciar viagem. Suas caudas são uma confusão de cores em contraste com o horizonte cinzento, como velas de uma regata.

Ao longo da parte traseira de aço e vidro do Terminal 3, repousam quatro gigantes, cujas librés indicam procedência variada: Canadá, Brasil, Paquistão, Coréia. Por algumas horas, as pontas de suas asas ficarão a apenas metros de distância, até que cada par comece outra viagem em meio aos ventos estratoféricos. À medida que cada aeronave se volta para um portão, tem início uma dança coreografada. Caminhões deslizam por baixo de seu ventre, negras mangueiras de combustível são presas às suas asas, um corredor móvel curva a boca de borracha retangular sobre a fuselagem. As portas dos compartimentos de carga são abertas e descarregam caixas de carga de alumínio amassadas, talvez com frutas que apenas há alguns dias pendiam dos galhos de árvores tropicais, ou legumes que tinham raízes no solo de vales altos e silenciosos. Dois homens de macacão armam uma pequena escada junto a um motor e abrem sua carcaça para revelar um território intricado de fios e pequenos tubos de aço. Lençóis e travesseiros são baixados da frente de uma cabina. Passageiros desembarcam, para quem essa tarde inglesa comum terá uma coloração sobrenatural.

Em nenhum lugar, a sedução do aeroporto está mais concentrada que nas telas de televisão suspensas em fileiras nos tetos dos terminais, a anunciar a partida e chegada de vôos, e com uma peculiar ausência de constrangimento estético: as caixas plásticas e de formato desinteressante não fazem nada para disfarçar a carga emocional ou o fascínio imaginativo que inspiram. Tóquio, Amsterdã, Istambul, Varsóvia, Seattle, Rio. As telas portam toda a ressonância poética da última linha de Ulysses, de James Joyce: ao mesmo tempo um registro de onde o romance foi escrito e, não menos importante, um símbolo do espírito cosmopolita por trás de sua criação: “Triestre, Zurique, Paris.” As constantes chamadas das telas, algumas acompanhadas do pulsar impaciente de um cursor, sugerem com que facilidade nossa vida aparentemente enraizada poderia ser transformada, caso seguíssemos por um corredor e embarcássemos numa aeronave que em poucas horas nos deixaria num lugar do qual não teríamos nenhuma recordação e onde ninguém soubesse o nosso nome. Como é gostoso ter em mente, através da fissura de nossas oscilações de humor, às três da tarde, quando a lassidão e o desespero ameaçam, que sempre há um avião decolando para algum lugar, para o “Qualquer lugar! Qualquer lugar!” de Baudelaire: Triestre, Zurique, Paris.”

(do imperdível livro “A Arte de Viajar”, de Alain de Botton)

Publicado por: João José Menescal | 5, Novembro, 2009

Compartilhar de olhares

Espero que mereça uma conferida: www.flickr.com/menescal

É uma caixinha azul onde compartilho lembranças visíveis. Não tem pretensão alguma, a não ser a de mostrar, com os olhos da lente, que por um momento são os meus, lugares visitados, situações percebidas, lembranças de cores, temperaturas, sensações e sentimentos. Enfim, tudo aquilo que podemos guardar como desenhos de luz.

Publicado por: João José Menescal | 2, Junho, 2009

Compreender a marcha e ir tocando em frente

Missão quase cumprida. É bom sentir a sensação de leveza que se avizinha e torna à casa após significativo exílio. O momento é de reordenar os sonhos, de retomar antigos e legítimos projetos. Hoje, a bagagem do aeronauta está mais cheia. No entanto, o que a torna tão leve, apesar do vasto conteúdo, é a certeza de que só vale a pena viver com intensidade para as coisas mais simples.

É preciso amor pra poder pulsar, é preciso paz pra poder sorrir, é preciso chuva para florir.

Publicado por: João José Menescal | 29, Maio, 2009

Não dizem que o céu não tem fim? Afirmo-te: não tem!

Se viva fosse, nossa saudosa Varig teria completado 82 anos no último dia 07 de maio. Sou da época em que todo menino que sonhava ser piloto de avião, inevitavelmente nutria por ela um amor cativo, e imaginava um futuro de comandante experiente com quatro faixas nos ombros e tendo o manche de um imponente Boeing 747 nas mãos.

Quem é da década de 80, com certeza guarda numa dobra afetiva da memória as lembranças do Natal. E era nessa época que se ouvia nos comerciais de TV o famoso jingle da “estrela brasileira no céu azul”, anunciando a chegada de um Papai Noel moderno, que dispensava o trenó e as renas e vencia as distâncias a jato.

Apesar da grande ligação sentimental com a companhia, só tive a oportunidade de voar em um de seus aviões uma única vez, em maio de 2006. O Boeing 737-300, já bem surrado, decolou de Congonhas e pousou uns 50 minutos depois no Galeão. A bordo, a brava tripulação que, visivelmente abatida com os rumos que a empresa tomava, não deixava de se esforçar para atender os passageiros da melhor maneira.

Para registrar os 82 anos dessa charmosa e envolvente senhora, segue abaixo o comercial que foi ao ar em 2005, por ocasião dos 78 anos daquela que carregou a bandeira brasileira e os sonhos de muitos de nós pelo mundo afora. O vídeo é um show à parte. Vale a pena conferir pelo primor da fotografia, pela excelência do texto e do roteiro e, principalmente, pela façanha de tão bem condensar toda a história e a simbologia afetiva da nossa querida pioneira.

Varig, Varig, Varig!!!


Publicado por: João José Menescal | 18, Maio, 2009

Retrato em prosa de uma Fortaleza vista do alto

DSC07117

Foto: João José Menescal

Crônica

Minha alma canta

Depois das serras, vislumbra-se o imenso oceano anunciando a proximidade do destino final. Fortaleza mostra-se verde vista do alto, diferente do que se vê nas ruas. São os terreiros e quintais se revelando aos olhos da escritora

Apertem os cintos, vamos chegar. O avião já passou pelas serras e fez uma curva no rumo das praias. Avistar o oceano a se aproximar é uma emoção, passageiros mergulham os olhos na paisagem, veem as areias, coqueirais, a vegetação litorânea com mandacarus e palmas espinhentas. Logo estamos ao longo do mar, vemos as dunas no Iguape, a praia que parece infinita e é infinitamente linda, o rio Catú que se abre num Maceió, cavalos que cruzam a água rasa e amarelada, o povoado da Prainha com seu Japão e as velas alvas das jangadas lado a lado na areia, depois a usina de vento em Porto das Dunas onde fica o parque aquático com brinquedos alucinantes, afinal o rio Pacoti, margeado por uma verdura densa. E surge Fortaleza, vista do Futuro. Abordada pela face leste, a cidade logo revela seu perfil de edifícios próximos à costa.

A chegar-se pelo sul, Fortaleza começa mais interiorana. Depois que passamos o maciço de Baturité, a cidade surge adiante, primeiro os conjuntos dos arrabaldes, aos quais se segue uma imensa mancha com telhados de barro entremeados pelo verde de copas e copas, um amplo campo repleto de casas e de árvores. Fortaleza é verde, pensam os passageiros. Estranho, pois quando circulamos na urbes a impressão é de não haver vegetação, e realmente, quase não há, nem nas ruas vicinais, nem no centro, nem nos bairros mais perto da costa. Como Fortaleza, vista do alto, pode ser tão verde? São os terreiros dos bairros, os bucólicos quintais das casas, desde os limiares da cidade até Fátima, onde ainda vivem remanescentes pés de jambo, velhos sapotizeiros, ou árvores plantadas mais recentemente, como os brasileirinhos, e agora, os nins indianos. E também uma enormidade de casas com piscinas azuis. Mas naquele momento a cidade se transforma num mar de cimento e ladrilhos. Os prédios muito altos, com uma linguagem local de revestimentos, predomínio de algumas cores, e mistura de retas e curvas, mostrando uma visível intenção de ousadia formal, criam uma sensação de juventude. Fortaleza dá a impressão de uma cidade nova, como acontece em Tóquio, com prédios surpreendentes e inesperados, audaciosos em sua concepção arquitetônica, ou em Chicago, considerada o mais belo perfil urbano do mundo, onde tudo é novo, pois a cidade foi devastada por um incêndio no final do século 19, e arquitetos de renome se ofereceram para projetar a nova cidade, dentro das últimas concepções, ou seja, toda em arranha-céus. Fortaleza passou por outro tipo de incêndio e reconstrução, mas seu perfil tem esse mesmo ar inovador e arrojado, que vem quiçá da fortitude, do temperamento valente do cearense, do nosso coração paladino.

Aquela Fortaleza branquinha, de ruas largas, arejada, coqueirais por todo lado, areias nuas, bangalôs, casarões, imensos quintais, terrenos baldios, a Fortaleza quase sem prédios, bucólica e suave, que vi da janela do avião quando a deixei, em 1956, não está presente no rosto da cidade atual, há um rompimento com a tradição da engenharia e arquitetura locais, com as regras de uso do espaço e de ambientação antigos. Várias épocas com suas atitudes marcam o traço da cidade. Já os edifícios de construção recente se inovam e tomam outros formatos, mais despojados, em tons mais terrosos. A cidade cresce para o lado leste, como aconteceu no Rio de Janeiro com a Barra da Tijuca, surge um novo modo de viver, uma mentalidade diferente, distante das recordações interioranas, que se reflete no retrato da cidade. E onde cabe, novamente, a vegetação, mas apenas como uma paisagem para as fachadas e janelas, pois as ruas, que convidam ao passeio sob renques de árvores, são temidas pela população, que só se transporta em automotores. Os prédios tentam oferecer aos moradores a sensação de casa, e lançam suas varandinhas com churrasqueiras. Surgem condomínios, cada vez mais os moradores abandonam as ruas, a vida a pé quase não existe mais, é o princípio de Alphaville, viver dentro de pequenas cidades muradas e seguras. Os remediados e ricos vão adiante, deixando um rastro pesado de favelas e pobreza. Ainda há muitos terrenos, ainda há muito que vai mudar nesta cidade que mudou tanto em tão pouco tempo. Vista do alto, Fortaleza é bela, posta diante do mar e cercada de natureza plana, banhada pela mais leve e alvadia luz que merece a admiração de poetas, seresteiros, tinta aguada a matizar algodão, uma natureza pintada de cores suavíssimas e meigas, jamais vistas em outra cidade. Ou, como diziam os sertanejos, uma luz subdorada.

ANA MIRANDA é autora de Boca do Inferno, Desmundo, Dias & Dias, entre outros romances, editados pela Companhia das Letras. E-mail: amliteratura@hotmail.com. Escreve quinzenalmente para o Vida & Arte.

Publicado por: João José Menescal | 30, Abril, 2009

Ir até que um dia chegue enfim, em que o sol derreta a cera até o fim

Voar, voar
Subir, subir
Ir por onde for
Descer até o céu cair
Ou mudar de cor
Anjos de gás
Asas de ilusão
E um sonho audaz
Feito um balão…

No ar, no ar
Eu sou assim
Brilho do farol
Além do mais
Amargo fim
Simplesmente sol…

Rock do bom
Ou quem sabe jazz
Som sobre som
Bem mais, bem mais…

O que sai de mim
Vem do prazer
De querer sentir
O que eu não posso ter
O que faz de mim
Ser o que sou
É gostar de ir
Por onde, ninguém for…

Do alto coração
Mais alto coração…

Viver, viver
E não fingir
Esconder no olhar
Pedir não mais
Que permitir
Jogos de azar
Fauno lunar
Sombras no porão
E um show vulgar
Todo verão…

Fugir meu bem
Pra ser feliz
Só no pólo sul
Não vou mudar
Do meu país
Nem vestir azul…

Faça o sinal
Cante uma canção
Sentimental
Em qualquer tom…

Repetir o amor
Já satisfaz
Dentro do bombom
Há um licor a mais
Ir até que um dia
Chegue enfim
Em que o sol derreta
A cera até o fim…

Do alto, coração
Mais alto, coração…

Faça o sinal
Cante uma canção
Sentimental
Em qualquer tom…

Repetir o amor
Já satisfaz
Dentro do bombom
Há um licor a mais
Ir até que um dia
Chegue enfim
Em que o sol derreta
A cera até o fim…

Do alto, o coração
Mais alto, o coração…

Publicado por: João José Menescal | 26, Novembro, 2008

Alegrias de hortelã

Hoje o menino lembrou-se que, um dia, recebeu o carinhoso apelido de “jardineiro-avoador”. Tratou logo de regar o girassol, pois foi ele quem lhe deu o nome. Decidiu que era hora de soprar a poeira com lábios de quem beija e cumprir o compromisso que traçou consigo: o de ter a certeza de que nem toda carreira de sucesso é feita e vivida com os pés no chão.

Sei que em teu olhar
Passa o mundo inteiro
E a tristeza da manhã

Tardes que eu quis voltar
Lágrimas de brisa
Alegrias de hortelã

Passa o tempo iluminando
Nesse mar sem fim
Sob um jardim de estrelas
O futuro que passou não me levou de ti
Nem os próximos invernos levarão

Água, fogo e ar
Terra e desejos
Esses nunca passarão

Claro é teu lindo olhar
Tudo foi escrito
Num momento de paixão

Quantos olhos vão atravessar espelhos
A perseguir a solidão?
Num romântico subúrbio
Um olhar sorri
Onde as próximas vaidades chorarão!

Nada como o tempo a passar
Tudo está contigo
E os perigos passarão

Publicado por: João José Menescal | 24, Junho, 2008

No espaço inaudito do amor

o

Au dessus des vieux volcans,
Glisse des ailes sous les tapis du vent,
Voyage, voyage,
Eternellement.

De nuages en marécages,
De vent d’Espagne en pluie d’équateur,
Voyage, voyage,
Vole dans les hauteurs
Au dessus des capitales,
Des idées fatales,
Regarde l’océan…

Voyage, voyage
Plus loin que la nuit et le jour,
Voyage
Dans l’espace inouï de l’amour.
Voyage, voyage
Sur l’eau sacrée d’un fleuve indien,

Voyage
Et jamais ne revient.*

(Desireless, 1987)

o

o

*Acima dos velhos vulcões
Deslizam asas sob o tapete do vento
Viaje, viaje,
Eternamente.

Das nuvens aos pântanos
Do vento da Espanha à chuva do equador
Viaje, viaje,
Voe até as alturas
Acima das capitais,
Das idéias fatais,
Olhe o oceano…

Viaje, viaje,
Mais longe que a noite e o dia
Viaje,
No espaço inaudito do amor
Viaje, viaje,
Sobre a água sagrada de um rio indiano

Viaje,
E jamais retorne.

Publicado por: João José Menescal | 10, Junho, 2008

Da beleza plástica da palavra

Ultimamente faltava tempo para tudo. A idéia de não postar nada há alguns bons dias o incomodava. Pra não deixar passar, resolveu, no arrepio da pele, pelo menos anunciar que estava vivo. O estopim foi a música do Fausto Nilo, cuja beleza plástica sempre o comovia. Lá existe o sal da terra distante, e a certeza de que, em breve, se Deus o permitir, bastará um par de asas para transportá-lo além-mar.


Portugal, acordei de um sonho antigo
Meu avô me ensinou teu pão de trigo
Fez uma canção de amigo
Com as estrelas e o varal.

Portugal, no outeiro da prainha
Meu amor se banhou na fontainha
Com a lua dos amantes
Pendurada no beiral.

Portugal, se o meu mar não existisse
O teu mar talvez fosse um fado triste
Muito além do azul que existe
No teu sonho, Portugal.

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