Posted by: João José Menescal | 8, Janeiro, 2008

Temos um jumento na pista!

A tarde estava nublada. Daquelas bem abafadas e sem chuva. A missão era trasladar o veterano Cessna 150 do Aeroclube do Ceará. Decolaríamos do Aeródromo Feijó para o Pinto Martins. Um vôozinho de, no máximo, 10 minutos. Isso contando todo o tempo necessário para girar a chave, acordar o bravo Lycoming de 150 hp, aquecê-lo, realizar os checklists, taxiar até a cabeceira, decolar, chamar o Controle Fortaleza em 133.00, receber instruções para ingresso no circuito de tráfego, pousar, taxiar até o pátio e cortar o motor. Ou seja, tudo dentro da rotina. Seria mais um daqueles passeios curtos pra alegrar o dia.

Avião preparado. Notificação de vôo feita por contato telefônico. Tanques forradinhos com 30 litros de combustível (o Cessninha tem tanques long range, de 144 litros totais - respeite, viu?!), o que nos daria uma autonomia de pouco mais de 1 hora de vôo: muito além do suficiente para a travessia. Acionamos e, rapidinho, seguimos para a cabeceira 13 do Feijó, aproveitando, no percurso, para fazer o briefing de decolagem, checagem de magnetos, mistura, marcha lenta… enfim, todos os parâmetros indicados nos checklists (que são de fundamental importância para que o piloto não esqueça de verificar os itens cuja inobservância poderia comprometer a segurança da aeronave e de seus ocupantes). Alinhados, aplicamos potência e, com vigorosas 2500 rotações por minuto ronronando à nossa frente, a hélice cavitava o ar com eficiência. Em 20 segundos e 65 nós, estávamos fora do solo. Subida a 800 pés por minuto.

Nivelados aos 1000 pés, chamamos o Controle Fortaleza que nos posicionou como número 2 para pouso. Estávamos atrás de um Boeing 737-300 que ainda ostentava as cores da BRA, mas estava sendo operado pela Ocean Air. Porém, como na aviação o que se apresenta como trivial muitas vezes guarda umas boas e inusitadas surpresas (e outras em tão boas assim), fomos supreendidos, o Boeing e eu, quando o Controle Fortaleza disparou:

Controle: - Ocean Air 2222 (número fictício), da presente inicie arremetida. A Torre Fortaleza acaba de informar a presença de um animal na pista.

Ocean Air: - Ciente Controle, o Ocean Air 2222 iniciando arremetida da presente.

Em seguida, o controlador nos chamou:

Controle: - PT-DJF (prefixo do Cessna), está ciente do animal na pista reportado ao Ocean Air 2222?

PT-DJF: - Afirmativo, Controle. O PT-DJF está ciente.

Controle: - PT-DJF, da presente posição abandone a final da pista 13 com curva à direita. Execute um 360 (curva de 360 graus) aguardando instruções para reingresso.

PT-DJF: - Ciente Controle. PT-DJF abandonando a final da 13 com 360 pela direita, aguardando instruções. A propósito, poderia confirmar qual o tipo de animal?

Controle: - PT-DJF, temos um jumento na pista!

Disse pra mim mesmo: “Oh my god! A jument!” E fiquei imaginando a visão cômica da equipe de terra (Infraero, Bombeiros e o escambáu) tangendo o animal para fora!

Enfim, problema resolvido e o Boeing seguiu pro pouso. Autorizados, ingressamos novamente na final. Configurei o avião, fiz as reduções necessárias, e, no cruzamento da cabeceira, pouco antes das borrachas tocarem o concreto, pude observar, próximo à lateral, pertinho das luzes do balizamento, o rastrinho de bosta que o jumentinho deixou provavelmente quando tentava empreender fuga.

A torre orientou que livrássemos a pista na próxima taxiway à esquerda. E eu, ainda embasbacado com a comédia, só pude cotejar a instrução com uma sonora gargalhada!

Respostas

ôoo comédia! A jument me lembrou algum outro episódio. Morri de rir…

Morri de rir!

Hahaha!

Imagina os passageiros do Ocean Air, pensando “Ai meu Deus! Arremeteu!! O que será que tá acontecendo??”, e o jumentinho lá, tranquilo e calmo, “cagando e andando”…

Hahaha!

“oh my god! a jument!” e “rastrinho de bosta”… que combinação!!!!!
hahahahaha!

kkkkkkk muito bom!

parabéns pelo blog,

abraço.

Leave a response

Your response:

Categorias